Categoria: Nacionais

O empresário Nelson Tanure, dono da companhia Docas Investimentos S.A. e arrendatário do “Jornal do Brasil” e da “Gazeta Mercantil”, comprou ontem, por US$ 112 milhões, 25% das ações ordinárias e o controle do capital votante da Fundação Ruben Berta-Par, a controladora da Varig. O negócio garante a Tanure a gestão da Varig. Para ser sacramentada, no entanto, a proposta de Tanure precisa ser aprovada pela DAC (Departamento de Aviação Civil) e pelo comitê de credores da Varig. O Tribunal de Justiça do Rio já foi informado da proposta e ficou de se pronunciar. A Varig passa por processo de recuperação judicial. O negócio foi apresentado ontem ao vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, e ao presidente da Infraero, Carlos Wilson. A Infraero, que administra os aeroportos, é um dos principais credores da Varig. O anúncio da transação estava previsto para ontem depois de encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi adiado por problemas de agenda do presidente. Participaram das reuniões, em Brasília, com José Alencar e Carlos Wilson, Nelson Tanure e Paulo Marinho, pelo grupo Docas, e Celso Rodrigues da Costa, presidente da FRB-Par, e César Cury, presidente do conselho de Curadores da FRB-Par, pela Varig. Ao final das reuniões ontem, César Cury e Paulo Marinho informaram que o negócio foi fechado durante a madrugada passada. O grupo Docas se comprometeu a pagar a quantia de US$ 112 milhões em dez parcelas -a primeira foi desembolsada ontem. Com a aquisição, além dos 25% das ações ordinárias, o grupo Docas também terá direito a 67% do capital votante da FRB-Par em regime de usufruto por dez anos. A proposta de Tanure também inclui a compra, por US$ 139 milhões, da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) e da VarigLog, a empresa de logística da Varig. O grupo Docas estava disputando a compra da Varig com a TAP, que chegou a acertar com a administração anterior da Varig a compra da VarigLog e da VEM por US$ 62 milhões. O não-fechamento do negócio com a TAP implicaria à Varig multa de US$ 12 milhões, que o grupo Docas afirmou que irá contestar na Justiça. Segundo Paulo Marinho, diretor da Docas, o negócio com a Varig não prevê, pelo menos no primeiro momento, pedido de empréstimo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A operação com a TAP previa um financiamento de US$ 40 milhões do BNDES. “Não queremos dinheiro do governo”, disse Marinho. O plano de reestruturação da Varig será apresentado pelos novos gestores neste mês ao comitê de credores da empresa. Para a recuperação da companhia, Tanure está confiante em conseguir abater parte dos mais de R$ 7 bilhões da dívida reconhecida pela Varig com os cerca de R$ 4,5 bilhões de créditos fiscais com o governo. A operação de encontro de contas enfrenta fortes resistências do Ministério da Fazenda e foi, até agora, um dos grandes empecilhos para que a venda da Varig acontecesse.

Data de publicação: 13/12/2005
Fonte/Autor: GUILHERME BARROS (COLUNISTA DA FOLHA) / Colaborou Cláudia Dianni

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