Categoria: Nacionais
13
abril
2009
Milagre nos paraÃsos fiscais
Milagre nos paraÃsos fiscais
Gilles Lapouge*
Milagre no paraÃso fiscal. Desde que o G-20 voltou a sua atenção para essas praças, esses locais, onde o dinheiro mais sujo floresce e se regala, veem desaparecendo rapidamente. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) repartiu esses paÃses em três listas: a “negra”, a “cinza” e a “branca”, esta última agrupando paÃses Ãntegros, como China ou Estados Unidos.
Ora, em 48 horas a lista negra se esvaziou. Costa Rica, Filipinas, Malásia e Uruguai, que estavam nessa lista, assumiram o compromisso de trocar informações fiscais. De imediato, foram transferidos para a cinza, ao lado de 34 paÃses, como Bélgica, Luxemburgo, Mônaco, San Marino, que “não são cooperativos, mas prometeram cumprir as novas regras”.
Agora, o que se espera é que esses paraÃsos fiscais se corrijam e se convertam em “paraÃsos brancos”, o que é normal e “teologicamente” mais conveniente, já que é difÃcil imaginar um paraÃso “negro” ser frequentado por demônios. Os “fundadores da Igreja” nos ocultaram os paraÃsos diabólicos.
Com o desaparecimento formidável de todos os “paraÃsos negros”, pode-se medir a eficácia do G-20. Os espÃritos zombeteiros terão de se resignar: o G-20 funciona, mesmo. Bastou os 20 paÃses mais ricos decidirem que, no futuro, todos os paraÃsos devem ser imaculados para Costa Rica ou Malásia se pintarem de branco.
Restam algumas anomalias. Surpreendeu que, nos paraÃsos cinzas não figurassem nem as ilhas Jersey e Guernesey nem Macau ou Hong Kong. Mas essas ausências não são estranhas. As ilhas Jersey e Guernesey dependem de Londres, onde ocorreu a reunião do G-20.
No caso de Hong Kong e Macau, havia o risco de desgostar a China. Então, encontrou-se uma solução: a China aceitou que Bahamas e Panamá, ligados aos EUA, passassem da lista negra para a cinza e, em troca, os EUA reconheceram que Macau e Hong Kong eram paraÃsos brancos, como todos os paraÃsos mais sensatos.
As Ilhas Virgens, ligadas aos EUA, também salvaram a sua pureza. Chipre e Malta, outrora britânicas, também escaparam, para o prazer de grandes grupos franceses. Pior. Não é preciso ir até à s Ilhas Cayman para depositar dinheiro suspeito. Os verdadeiros “paraÃsos negros” estão sob o nosso nariz.
O politólogo australiano Jason Sharman conseguiu contornar o segredo bancário utilizando o Google e um pouco de dinheiro. O truque? Existem locais nos EUA e em outros paÃses onde nem as autoridades nem os banqueiros pedem o nome dos clientes. Os fraudadores, em vez de abrir contas em seu nome, criam sociedades anônimas e transferem fundos em nome delas. Exemplos: Nevada (onde aparecem 400 mil sociedades por ano) ou Wyoming. Sharman tentou criar essas sociedades em 45 locais. Conseguiu em 17 vezes, das quais 13 em paÃses da OCDE.
*O autor é correspondente em Paris
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Fonte: O ESTADO DE S. PAULO – 09.04.09










