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Saiu o resultado do teste de estresse. Dez bancos dos EUA requerem mais US$ 74,6 bilhões para continuar viáveis.
Quase ao mesmo tempo, o Citi anunciou que vai incorporar a seu capital boa parte dos US$ 45 bilhões em dinheiro estatal que recebeu. Com isso, o governo pode se tornar seu maior acionista.
De longe, quem necessita de mais capital é o Bank of America: R$ 33,9 bilhões, além dos US$ 45 bilhões que já recebeu do TARP (Programa de Resgate do Setor Financeiro do governo Bush).
Não chega a ser uma situação inquietante, como afirma o Valor em seu editorial desta sexta-feira.
Mas, claro, há dados preocupantes no documento. O RGE Monitor, boletim diário da consultoria do sempre sombrio Nouriel Roubini, ressalta por exemplo que a taxa total de calotes nos empréstimos bancários americanos chegou a 9,1%, um nível que excede o visto nos anos 30. Destaca, também, que ainda há perdas estimadas no setor de US$ 600 milhões para o biênio 2009-2010.
Roubini afirmara – três dias atrás, antes portanto de conhecer a situação real dos bancos – que os resultados do teste de estresse não iriam marcar o princípio do fim da crise financeira. Ele e Matthew Richardson publicaram um artigo no Wall Street Journal com um título que o resume bem: “Não podemos subsidiar os bancos para sempre: o governo tem que mostrar que pode lidar com grandes insolvências”.
A esta altura, você pode estar cansado dos resmungos de Roubini. Mas não o descarte. A revista Time incluiu o “Doutor Apocalipse” na sua lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, e o texto que o exalta é assinado por ninguém menos que Paul Krugman. “Roubini às vezes erra? Claro. Todo mundo erra”, escreve o mais pop dos Nobel de Economia. Mas “seus alertas são baseados em sofisticadas modelagens e cuidadosa análise de dados e têm frequentemente se provado certos – não só no geral, mas nos detalhes.”
Por ora, no entanto, vamos nos concentrar nos fatos. Os reguladores americanos disseram a 10 dos maiores bancos dos EUA que eles devem levantar mais US$ 75 bilhões em capital extra, uma avaliação mais otimista do que o setor inicialmente temia, como explica o New York Times.
Outra reportagem do mesmo jornal sustenta que o teste de estresse desenha uma linha divisória através do cenário financeiro, entre as instituições mais fortes e as mais fracas. É a primeira vez que a diferença fica clara. E isso significa transparência para que governo e investidores privados possam separar o joio do trigo e, em última instância, decidir quem vai e quem não vai sobreviver.
Na madrugada desta sexta-feira, os mercados asiáticos se moveram para cima em resposta aos resultados do teste. Toquio subiu 0,5%, Hong Kong, 1%; Xangai, 1,09%, e Seul, 0,79%.
Vamos ver o que acontece nas próximas horas em Wall Street.