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A KPMG não auditará os balanços da Agrenco a partir de julho de 2008. A firma de auditoria independente comunicou sua decisão à empresa na sexta-feira. A auditoria assinará apenas os números do primeiro semestre de 2008, que ainda não foram entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os recibos de ações (BDRs) da Agrenco tiveram a negociação suspensa em 11 de fevereiro pela autarquia, por conta do atraso na entrega das demonstrações financeiras. O último resultado conhecido é o do primeiro trimestre de 2008, pouco antes da Operação Influenza, da Polícia Federal, que em junho daquele ano chegou a prender por algumas semanas dois dos controladores da companhia.

Em comunicado divulgado ontem, a empresa afirma que a previsão para término dos trabalhos da KPMG com relação ao balanço até junho de 2008 é o próximo dia 19. Após as revisões do relatório final, a empresa enviará a documentação à CVM.

A Agrenco não esclareceu no comunicado os motivos da desistência da KPMG de manter os trabalhos para o período posterior a junho de 2008. Procurada, a empresa não comentou o assunto. A auditoria informou ao Valor que não comenta o relacionamento com clientes.

Portanto, continua sem prazo a entrega das informações a partir de julho de 2008. Por isso, a própria Agrenco afirma que a entrega desse relatório não colocará os papéis da empresa em condições de negociação. Aqueles que possuem os BDRs da Agrenco continuam com seus recursos congelados até que a situação seja regularizada.

A companhia afirma que convocará uma assembleia para decidir a questão. Vale lembrar que a Agrenco tem sede nas Bermudas e segue a legislação societária daquele país.

Valor Economico – 13.04.2010

03

abril

2009

Agrenco e o mercado

Agrenco vende unidades e prepara retorno ao mercado

Priscila Machado

SÃO PAULO – A menos de 10 dias de ter obtido a aprovação do plano de recuperação pelos seus credores, a Agrenco já inicia sua reestruturação com a venda da unidade de produção de biodiesel em Marialva, no Paraná. Ainda sem divulgar o nome do comprador, a empresa informou em nota a seus investidores a saída da Marubeni e a inclusão da Agrenco Netherlands (Agrenco N.V.) no quadro de cotistas da Agrenco Bioenergia. A companhia japonesa detinha 15% do capital social da empresa em recuperação judicial. O retorno da Agrenco ao mercado também deverá custar a venda de outros empreendimentos da companhia, entre eles dois armazéns e um porto localizado na província de Entre Ríos, na Argentina.

Os problemas financeiros da Agrenco se agravaram a cerca de um ano, mas desde o seu IPO (entrada inicial em bolsa) , em outubro de 2007, suas ações já vinham despencando. No dia da oferta inicial a ação fechou custando R$ 8,92. No último pregão a mesma ação fechou a R$ 0,39.

Drama semelhante é vivido pelos acionistas da Brasil Ecodiesel, maior produtora nacional de biodiesel. Os papéis da companhia, que chegaram a valer cerca de R$ 15, encerraram o pregão da sexta-feira em R$ 0,79. Hoje, após o fechamento do mercado, a Ecodiesel divulga seus resultados no quarto trimestre de 2008. A expectativa é a de que a empresa consiga reverter parte do prejuízo de R$ 28,9 milhões registrado no terceiro trimestre do último ano.

No ano em que as ações em baixa se somam ao endividamento e crédito restrito, é difícil prever o reposicionamento dessas empresas no mercado.

O cenário de preços para o óleo de soja, principal matéria-prima na produção do biocombustível, promete achatar ainda mais as margens das empresas do setor.

Apesar do primeiro trimestre de 2009 ter sido positivo com a queda nos preços do óleo, o mercado reverteu nas duas últimas semanas e na Bolsa de Chicago a commodity já acumula alta de 11%. “Com a alta do óleo o custo do biodiesel pode ter chegado a R$ 2,15 o litro, que foi o preço negociado no último leilão [realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)] e a margem operacional dessas empresas pode ficar esmagada”, avalia Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado. Ele explica que com a proximidade da colheita da safra de soja o mercado acreditou na queda dos preços, mas agora apenas quem travou o preço de óleo deverá ter sua margem garantida.

No último leilão da ANP, as plantas localizadas no Rio Grande do Sul – Brasil Ecodiesel, Granol e Oleoplan – foram responsáveis pela venda de 106 milhões de litros, cerca de um terço do volume total comercializado . Essas unidades devem incrementar ainda mais sua produção, umas vez que no último dia 17 o governo do Estado anunciou a concessão de benefícios fiscais para a cadeia de biodiesel. A produção fica contemplada por decreto alterando a Lei do ICMS, que inclui na relação de mercadorias sujeitas ao diferimento do imposto sobre grãos de canola e de mamona destinados as usinas de biodiesel.

Pesquisa

Na última semana a equipe do projeto de pesquisa “Fontes alternativas potenciais de matérias-primas para produção de agroenergia”, estudo conduzido por 21 unidades da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), esteve reunida para avaliar as pesquisas conduzidas com pequi, macaúba, tucumã, entre outras espécies, e definir ações a serem executadas ao longo do ano. Segundo a estatal, a pesquisa está avaliando, entre outros aspectos, o teor e qualidade do óleo, viabilidade para produção de biodiesel e resistência a pragas e doenças das espécies. “A pesquisa começou como uma corrida. Largaram várias plantas, hoje algumas lideram”, diz o pesquisador Nilton Vilela Junqueira, da Embrapa Cerrados, líder do projeto.

De acordo com ele as pesquisas visam domesticar espécies silvestres de plantas nativas do Brasil para produção de óleo. O estudo deve seguir até 2011 e nesse período a equipe irá selecionar duas ou três espécies para aprimorar as pesquisas.

Em 2008, segundo dados do Ministério das Minas e Energia, o uso do biocombustível evitou a importação de 1,1 bilhão de litros de diesel de petróleo, o que rendeu aproximadamente US$ 976 milhões para o Brasil.

 

30/03/09 – DCI

Recuperação da Agrenco vira novela

 

No último dia 5, estiveram reunidos em assembléia geral os credores da Agrenco do Brasil, Agrenco Serviços de Armazenagem, Agrenco Administração de Bens e Agrenco Bioenergia Indústria e Comércio de Óleos e Biodiesel, que foi suspensa pela maioria dos credores presentes, sendo definida sua continuação no dia 16. Na segunda-feira, então, os credores informaram sobre a necessidade de prazo adicional para possibilitar o ajuste e negociação de itens finais do plano de recuperação e, também, para viabilizar o processo de aprovação interna de referido plano junto as suas instituições. Por essa razão, remarcaram a reunião para o dia 19, próxima quinta.

 

Monitor Mercantil

17.03.2009

Agrenco engorda uso da recuperação judicial

Por Graziella Valenti, de São Paulo

29/08/2008

 

A Agrenco não é a primeira companhia aberta a entrar com pedido de recuperação judicial. Mas estréia a iniciativa dentre as novatas da Bovespa. A empresa ainda nem completou um ano de listagem na bolsa. Chegou ao pregão paulista em outubro do ano passado, após captar R$ 666 milhões. Além dela, já adotaram esse procedimento nomes conhecidos como Parmalat Brasil, Varig e Bombril, esta última em função de uma disputa societária.

A Agrenco listada na Bovespa é uma companhia estrangeira. Os papéis negociados no pregão são da holding sediada no paraíso fiscal de Bermudas. Assim, os papéis transacionados aqui são, na verdade, certificados de ações (BDRs). A recuperação judicial foi pedida pelas quatro subsidiárias operacionais da companhia: Agrenco Brasil, Agrenco Serviços de Armazenamento, Agrenco Administração de Bens e Agrenco Bioenergia.

Essa foi a saída encontrada pela empresa, que definha desde 20 de junho, quando os sócios controladores foram presos pela Polícia Federal na Operação Influenza, por suspeita de fraude. Eles estão soltos desde julho. A medida também atende ao pedido de potenciais interessados em assumir o negócio.

A Bovespa suspendeu a negociação com papéis no aguardo de esclarecimentos da empresa, mas não especificou quais dados adicionais espera. Na quarta-feira, quando anunciou o pedido de recuperação, os BDRs encerraram o dia valendo R$ 0,44 – foram vendidos aos investidores por R$ 10,40 para a estréia na bolsa.

Pelo fato de a companhia listada ser a holding estrangeira e as empresas em recuperação serem as subsidiárias, a Agrenco provavelmente não será identificada no pregão como concordatária ou em recuperação judicial, como ocorre com outras companhias em situações análogas, segundo informou a assessoria de imprensa da bolsa. Atualmente, Ferragens Haga e Lojas Hering negociam como concordatárias e outras sete constam como em recuperação judicial – entre as quais Eucatex, Recrusul, Parmalat, Sansuy e Varig.

A figura da recuperação judicial é nova no Brasil. A nova lei de falência do país foi homologada em 2005. Antes dela, as chances de sobrevivência de uma companhia em falta com seus credores era substancialmente mais difícil. Anteriormente, a liquidação do negócio era praticamente certa. Vendia-se tudo o possível para pagaras dívidas com o Fisco, os credores financeiros e os trabalhadores.

“Ainda é cedo para dizer que a implantação da lei é um sucesso, mas melhorou muito o cenário”, acredita Julio Mandel, do escritório especializado Mandel Advogados Associados. Com a Lei 11.101, que estabeleceu a figura da recuperação, na prática, a companhia renegocia seus débitos com os credores, que concedem esse aval após a apresentação de um plano para restabelecer o negócio. O acerto entre as partes é conduzido e validado por um juiz.

Jorge Queiroz, presidente do Instituto Brasileiro de Gestão e Turnaround (IBGT), destaca que o sucesso da recuperação depende de dois fatores importantes: profundo estudo de viabilidade do negócio e dinheiro novo para permitir a manutenção das atividades. Sem isso, as chances de a companhia só retardar a falência são maiores.

Mandel explica que, na prática, há três riscos de o processo ir para a falência – liquidação dos ativos e passivos: se o plano não for apresentado em dois meses, se não for viável e não receber aval dos credores ou ainda se não for executado corretamente. Aos acionista da empresa, seja o processo de recuperação judicial ou falência, não há qualquer direito garantido.

Mesmo para os novo recursos que entram na companhia há riscos. Segundo Mandel, se o dinheiro chegar como aporte de capital, a proteção dependerá do plano que for aprovado pelos credores. Mas, se vier no formato de dívida, as proteções são maiores: caso a falência seja inevitável, o pagamento tem prioridade até mesmo sobre o Fisco.

Fora do Brasil, há uma indústria de fundos de investimentos dedicados a buscar oportunidades em companhias nessa situação. Aqui, porém, esse mercado ainda é incipiente. Carlos Asciutti, sócio da Ernst & Young, especializado em fundos de participações, explica que ainda não há um histórico de aplicação da lei que garanta segurança para os investidores. Ele lembrou das discussões em torno do caso Varig e Gol, por exemplo.

A Gol é alvo de ações trabalhistas de ex-funcionários da Varig, apesar de a nova lei de falência não prever a sucessão das obrigações para a empresa compradora. O caso gera muito debate e a solução deve ajudar a tornar mais clara a recuperação judicial. A decisão sobre a sucessão dos passivos será do Supremo Tribunal Federal (STF).

Já o processo de recuperação da Parmalat, iniciado de 2005, é citado como um dos mais bem-sucedidos. Em maio de 2006, os credores no país aprovaram a transferência do controle da empresa para o Fundo de Investimento em Participações (FIP) Latin America Equity Partners (Laep), que fez aumento de capital de R$ 20 milhões. Como a Parmalat era controladora da Batávia, os credores também aprovaram a venda desta para a Perdigão por R$ 101 milhões. No fim de outubro de 2007, a Laep , controladora da Parmalat, abriu capital na Bovespa e captou R$ 507 milhões.