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29

janeiro

2009

Médicos de empresas

No mundo corporativo existe a figura do médico de empresas. Da mesma forma que doutores receitam comprimidos para aplacar as dores da vida, estes executivos se especializam em dosar remédios e procedimentos para salvar sociedades comerciais à beira da morte. Segundo Roberto Cunha, que atua na reestruturação de empresas em risco, existe a necessidade de ágil diagnóstico para salvar um empreendimento que caminha para falência. “Quanto mais rápido for a reação, melhor”, afirma o especialista, que tem escritórios na Bahia e São Paulo. A crise nacional que desafia a Avestruz Master é exemplo de caso que precisa ser diagnosticado por profissionais especializados em turnaround. O termo em inglês significa retornar ao estado anterior e está na moda nos países de capitalismo bem estruturado.

No lugar do amadorismo, só o choque de procedimentos profissionais pode salvar o negócio em risco. Por isso a nova Lei de Falências aponta para a nomeação de um administrador nos casos de falência e recuperação judicial – o que será um enorme campo de trabalho para estes executivos.

O Diário da Manhã conversou com seis dos mais destacados profissionais dessa área corporativa e um grupo internacional que lida com empresários em crise financeira. Eles evitam comentar casos concretos, como o a insolvência da Avestruz Master, pois desconhecem a real situação da empresa. Mas alertam para problemas que são sanáveis e outros que nascem com vício de origem, sendo, portanto, impossíveis de recuperação.

A maioria dos entrevistados diz que casos mais problemáticos não costumam ser ‘curados’, restando apenas a falência. Pelas contas do executivo Richard Doern, cerca de nove entre dez empresas morrem após tentativas frustradas de sobrevivência. Outro lado – Uma voz discorda desse número: Jorge Queiroz, do Instituto Brasileiro de Gestão e Turnaround (IBGT). “Existem diversos mecanismos para que isso ocorra, como a legislação, o acordo com credores, a reestruturação administrativa. Até mesmo no caso Avestruz Master. É preciso ir ver. As críticas geralmente são feitas por quem vê tudo de longe”, fala. Ele já esteve à frente de dezenas de empresas de grande porte próximas da morte. Um caso bastante comentado é a crise superada pela Eluma, do Grupo Paranapanema. Outro é Ichpe Maxxion, tratado a conta-gotas pelo executivo e presidente do instituto que reúne turnarounders brasileiros.

Data de publicação: 11/12/2005
Fonte/Autor: Diário da Manhã / Welliton Carlos

29

janeiro

2009

Peso da credibilidade

O especialista Jorge Queiroz fala de um bem maior da empresa como garantia de recuperação. “Quando ocorre agressão à credibilidade, é como sangrar o organismo. Trabalhamos com credibilidade. Uma empresa em dificuldade sangra dia a dia.” Nacir Sales, também autor de publicações sobre falência, explica que, resguardar a imagem do grupo, é fundamental. “A reestruturação é um ato complexo e multidisciplinar, de equipe. É preciso ter até jornalistas para cuidar da assessoria de imprensa. Uma solução de mercado passa pela busca de parcerias e novas formas de seduzir antigos credores e até mesmo novos credores.” Roberto Cunha, da RC Finanças Corporativas, alerta que uma empresa em crise deve ser tratada com procedimentos agressivos e múltiplos. “Usamos como principal ferramenta a Gestão do Fluxo de Caixa.”

Eduardo Gomide, da Kroll, defende que todo esforço deve ser feito para que a empresa permaneça em atividade. “Veja a Varig, que tem um cartão de relacionamento, o Smiles, com 6 ou 7 milhões de clientes. Quanto custa isso? Principalmente por esse detalhe, acredito ser viável. Às vezes a marca da empresa é extremamente valiosa.”

Data de publicação: 11/12/2005
Fonte/Autor: Diário da Manhã

O advogado Thomas Felsberg é o único brasileiro membro do International Insolvency Institute e American College of Bankruptcy. Só isso garante reputação suficiente para tratar da saúde de empresas em risco. As duas entidades são responsáveis pelos estudos mais completos de insolvência e falência em todo o mundo. Não bastasse, seu escritório é um dos mais procurados do País. Dentre seus clientes mais destacados encontram-se Varig, Transbrasil, Singer, Parmalat e Enron. A fama de recuperador de empresas é acompanhada pela crença nos instrumentos que permitem tal reestruturação. Felsberg explica ao DM que a nova Lei de Falências nasce de uma preocupação generalizada em diversos países, pois as empresas são a base de sustentação de uma economia. “O Banco Mundial estipulou alguns quesitos que deveriam ser aplicados. Nossa lei tem muito da legislação americana”, explica.

O advogado fala que espera uma mudança de comportamento com a aplicação da norma atual. Com o Decreto-Lei 7.661/45, o empresário tinha prazos curtos para tentar eventual recuperação por meio da figura da concordata. A Lei 11.101/05 traz a figura da recuperação judicial e extrajudicial no lugar de concordata. “É lamentável quando se precisa matar empresas como Encol, Mappin, pois geravam empregos”, avalia.

Felsberg recorda o caso da Enron, nos EUA, que reuniu todos os tipos de crimes e fraudes em seu corpo pesado. “Não destruíram o fundo de comércio. Preservaram o patrimônio. Por isso conseguiram se reerguer”. O advogado afirma que condenar empresas à morte de forma desnecessária é erro pouco estratégico para a economia de qualquer país. Jorge Queiroz, que tem livros publicados sobre turnaround, explica que a melhor forma de tratar uma empresa em ruína é agir com rapidez. “Às vezes simplesmente não existe tempo suficiente. Se for mesmo preciso, mudo para a cidade em que está localizada a empresa. Tem casos que o empresário está em coma e precisamos agir rápido e em equipe”, explica.

Data de publicação: 11/12/2005
Fonte/Autor: diário da manhã